O fundamento da casinha de Exu



Alguns dirigentes, sem muito critério, atualmente estão “plantando”, “fazendo” tronqueiras em casas de médiuns. E vemos qualquer um, hoje, com uma segurança desse porte em suas moradias. A tronqueira, a “casinha” de Exu, tem a finalidade de manter um terreiro inteiro de pé, com suas seguranças, seus Exus e médiuns bem energizados.

Para isso ela existe. Agora, nessa nova “modalidade”, os dirigentes passam a dar aos seus médiuns tronqueiras, sem explicar-lhes o que elas significam exatamente.
Em primeiro lugar, a tronqueira assemelha-se, de certo modo, ao que o africano chama de igbâlê, a casa das almas, a casa dos ancestrais. Quem tem uma tronqueira ou um igbâlê em seu terreiro ou em sua casa, assume um compromisso interminável ligando-os às falanges de almas ou aos Exus que exigirão, permanentemente, reenergização por meio de oferendas
em certos dias, horas. Quando alguém torna-se um sacerdote, saberá de seus compromissos permanentes.

Mas e o médium? Terá esse compromisso pelo resto de sua vida? Sim, porque é possível “desmanchar-se” o magnetismo desse local. Mas e o comprometimento espiritual com essas falanges? É possível “despachar” seu Orixá, seu anjo-da-guarda? “Enviá-lo” para algum lugar, pedindo-lhe que nunca mais volte?

E lembremos: é Exú servindo aos Orixás,por meio de seus serviçais, quem faz a lei universal de ação e reação cumprir-se. É ele quem “cobra” o carma, o somatório de coisas positivas e negativas acumuladas durante muitas vidas, de nós.

Passa-se um tempo e vem o resultado. Conhecemos também outra pessoa que, “para dizer-se mãe-de-santo” incomodou tanto o dirigente para ter uma tronqueira na frente de sua casa como se essa fosse um mero objeto decorativo, fazendo o pobre infeliz assentar para livrar-se daquele constante
incômodo. Contava, feliz, muitos baterem em sua casa para “fazer trabalhos”. Como médium, sem disciplina que era, esquecia por meses de uma vela, de uma oferenda, de uma simples garrafa de cachaça. Vivia dizendo enxergar “vultos” em sua casa cobrando-lhe alguma coisa. Sono agitado. Passou a ter vários problemas, decorrentes de tamanha imprevidência.

Se perguntada hoje se sabe porque isso aconteceu, dirá que não imagina sequer o motivo. Ora quando a tronqueira foi construída, ali foi “plantada” (designada) uma falange inteira de espíritos para trabalharem. Falange de quantos? Sete, setenta, setenta e sete…mil… dois mil. Ninguém sabe ao certo quantos espíritos fazem parte desses grupos.

Perguntamos: não será melhor perder um médium insistindo com essa vaidade, achando que a tronqueira é apenas um “adorno” na frente de sua casa do que fazer uma tolice dessas? E quando “cansados” de não receber nada por terem sido fixados no local para um trabalho nobre, para onde elesirão? Sempre é para a casa de quem os plantou… a casa do dirigente! Não é natural?

Fonte:
Míriam Prestes de Oxalá
In Exu Desvelado
Retirado de https://www.facebook.com/TriangulodaFraternidade.Umbanda/posts/859979730847251> Norberto Peixoto

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